codornizes ou maná ?



Costumamos buscar soluções para Deus viabilizar em nossas vidas. Quando estamos com problemas financeiros, por exemplo, ficamos imaginando como Deus poderia nos tirar da situação difícil em que nos encontramos e, em regra, erramos redondamente em todas as nossas projeções, isso porque somos humanos e Deus é Deus. Ele tem soluções que nem imaginamos, Deus é muito criativo.

Um dia os filhos de Israel desejaram comer carne, até aí tudo bem, se eles não estivessem no deserto. Os hebreus tinham sido libertados pelo Senhor do Egito com muitos milagres e maravilhas. A situação de escravidão no Egito se apagou facilmente da memória dos hebreus e só restaram as boas lembranças. É bem como dizia minha avó: o passado é sempre glorioso.

Os hebreus eram escravos, escravos mesmo, não recebiam salário por seu árduo trabalho, mas estavam com saudades das panelas de carne do Egito e foram se queixar para Moisés, coitado. Tudo o que acontecia Moisés era o culpado, é como se os hebreus tivessem feito um favor a Deus e a Moisés por saírem do Egito com eles, uma inversão de valores que custou caro a eles. Uma jornada que seria de apenas quarenta dias no deserto, se transformou numa peregrinação de quarenta anos.

Pois bem. Moisés já estava cansado de carregar os pecados do povo diante de Deus e de ser o emissário de Deus diante do povo, era uma função pesada demais para ele que já não era mais criança, Moisés já tinha oitenta anos de idade quando os hebreus começaram sua peregrinação pelo deserto.

O povo queria carne e começou a dizer: “Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos. Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos.” (Números 11:4-6). Os hebreus se lembravam com saudades até das cebolas do Egito. Haja paciência!

Você observou que os hebreus se queixaram do maná? Pois é, o maná foi resposta de Deus para o desejo deles de comer pão e agora não servia mais, eles disseram que não tinham nenhuma comida, só o tal do maná. O problema é que esta é uma coisa comum de acontecer conosco também, recebemos um milagre de Deus e depois achamos pouco, queremos coisa melhor. Perdão, meu Deus.

O ser humano nunca está satisfeito com o que tem, pode ser muito, ou pouco, tanto faz. Quem tem muito deseja a simplicidade que perdeu pelo caminho, quem tem pouco quer experimentar a fartura, a ausência da preocupação com o pão de cada dia. Quem tem cabelos lisos, deseja cabelos cacheados e quem tem cabelos vamos ao casco, deseja longas e lisas madeixas. Não tem jeito de Deus agradar todo mundo.

O povo queria carne e lá se foi Moisés falar com Deus sobre o cardápio. Primeiro Moisés se queixou da tarefa que Deus lhe deu, disse que não pariu o povo, que não aguentava mais carregar o povo no colo, blá, blá, blá, veja: “Por que fizeste mal a teu servo, e por que não achei graça aos teus olhos, visto que puseste sobre mim o cargo de todo este povo? Concebi eu porventura todo este povo? Dei-o eu à luz? para que me dissesses: leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança que mama, à terra que juraste a seus pais? De onde teria eu carne para dar a todo este povo? Porquanto contra mim choram, dizendo: Dá-nos carne a comer; eu só não posso levar a todo este povo, porque muito pesado é para mim.” (Números 11:11-14). Eu não disse?

Sobre este assunto Deus tomou logo providências e mandou Moisés escolher setenta anciãos no meio dos filhos de Israel e deu a eles uma porção do Espírito para que eles ajudassem Moisés na tarefa de carregar o povo no colo.

Depois Deus disse que atenderia o desejo do povo e que eles comeriam carne, não apenas um dia, nem cinco dias, nem vinte dias, mas um mês. Moisés, assim como nós, começou a pensar em como Deus faria aquilo e disse: “Seiscentos mil homens de pé é este povo, no meio do qual estou; e tu tens dito: Dar-lhes-ei carne, e comerão um mês inteiro. Degolar-se-ão para eles ovelhas e vacas que lhes bastem? Ou ajuntar-se-ão para eles todos os peixes do mar, que lhes bastem?” (Números 11:21-22).

Moisés pensou como homem, como qualquer um de nós, e “humanizou” Deus, achou que não tinha jeito de resolver aquele problema da carne no meio do deserto, longe da civilização, longe de mercados e feiras, sem dinheiro para comprar tanta carne. Seiscentos mil homens de pé, significava mais de um milhão de vidas, já que só se contavam os homens, mulheres e crianças não eram contadas, mas comiam.

A resposta de Deus foi dura, veja: “Porém, o SENHOR disse a Moisés: Teria sido encurtada a mão do SENHOR? Agora verás se a minha palavra se há de cumprir ou não.”(Números 11:23). Deus ficou bravo mesmo com Moisés.

Foi batata. Deus, como é muito criativo, fez mais um milagre, veja a solução Dele: “Então soprou um vento do SENHOR e trouxe codornizes do mar, e as espalhou pelo arraial quase caminho de um dia, de um lado e de outro lado, ao redor do arraial; quase dois côvados sobre a terra.” (Números 11:31). Um vento trouxe codornizes do mar.

Codorniz é a boa e velha codorna que conhecemos, uma ave da família dos galináceos, uma iguaria na culinária europeia, de onde migraram as aves. Alguém vai dizer que não houve milagre nenhum e que aquele deserto era apenas a rota de migração das aves.

Tudo bem, mas aquela parte do deserto não era a rota de migração das aves, veja o texto: “Então soprou um vento do SENHOR e trouxe codornizes do mar.” Aquelas aves não iriam para o deserto, foram desviadas por Deus. E tem mais um detalhe: aves migratórias não caem às pencas num mesmo lugar. Os hebreus passaram dois dias inteiros e uma noite inteirinha recolhendo as codornizes, veja: “Então o povo se levantou todo aquele dia e toda aquela noite, e todo o dia seguinte, e colheram as codornizes; o que menos tinha, colhera dez ômeres; e as estenderam para si ao redor do arraial.”(Números 11:32).

O ômer é uma medida de peso para secos utilizado na época, que correspondia a 220 litros. O texto bíblico diz que: “o que menos tinha, colhera dez ômeres”, ou seja, cerca de 2.200 litros. Carne suficiente para se comer um mês inteirinho, do jeitinho que Deus prometeu.

Deus poderia ter providenciado a carne de várias maneiras, eu mandaria uma manada de carneiros, ou um monte de bois, mas Deus optou por mudar a rota de migração das codornizes e ainda as fez cair no arraial dos hebreus em grande quantidade, sabe o que isso significa? Que Ele cumprirá as promessas feitas a você e de uma maneira que você nem imagina.

Deus não é homem para mentir e nem filho do homem para se arrepender, é o que nos garante Bíblia (Números 23:19) e Sua Palavra se cumprirá na minha e na sua vida. Não desista de Deus, porque Ele nunca desistirá de você. Entregue sua vida a Jesus e deixe Deus providenciar as codornizes que você está esperando.

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